segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Somos todos culpados

Nós, brasileiros, não gostamos de democracia.

É até compreensível para uma nação que, em mais de 500 anos de existência, deve ter experimentado uns 40, no máximo 50 anos de regime democrático. Mesmo assim sempre picotado e capenga. Baseado no conceito de “somos todos iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros”.

De qualquer forma, o progresso sempre foi para poucos de nós e a ordem… ah, a ordem. Essa nunca veio pelo diálogo, pelo respeito a opinião alheia, pelo debate civilizado… tudo como ensinam os bons preceitos democráticos. Não, nem sabemos ao certo como é isso.

Ela sempre nos foi imposta pela força.

Mas disso nós gostamos.

Por isso aplaudimos o policial truculento e sem preparo quando ele mantém quem queremos no seu devido lugar, vibramos com as palavras incendiárias de uma jornalista(?) que pede para não termos misericórdia com o marginal amarrado em um poste e apoiamos os tais black blocs, ou seja lá quem revoltado for, quando saem às ruas para dar um jeito, na marra, nesse "sistema podre e injusto".

Somos intransigentes. Nos ensinaram a sermos desse jeito e assim queremos ser. Sim, todos nós. 

Alguém morreu nesta segunda-feira. Um trabalhador. De forma estúpida, covarde e sem sentido. Morreu por culpa dessa intransigência. Dessa vontade de resolver nossas mazelas seculares de forma imediata e pela força.

Mas não foi simplesmente um trabalhador, um cinegrafista, que morreu nesta segunda-feira. Foi um brasileiro.

E quem o matou foram outros 200 milhões de brasileiros. 

Nós.

Uma nação inteira de assassinos irresponsáveis. 200 milhões de culpados. Justiceiros intolerantes e sem remorso. Oportunistas e dissimulados. Preconceituosos e provincianos.

Jagunços imediatistas.

Não foi o primeiro que matamos. Nós sabemos disso. Aliás, outros brasileiros estão sendo assassinados por nós neste exato momento. Milhares.

E não estamos nem aí.

Afinal, somos bons em matar brasileiros. Somos melhores nisso do que no futebol ou na música. Esse é nosso principal talento. Praticamos muito nesses últimos 500 anos, simplesmente por que é dessa forma que sempre tentamos resolver nossos problemas.

Você é negro? Bum. Você é gay? Bum. Você é pobre? Bum. Você é playboy? Bum. Você é manifestante? Bum. Você é policial? Bum. Você é bandido? Bum.

Você é cinegrafista e está fazendo seu trabalho onde não foi chamado? Bum.

… 

Mas mesmo assim ainda tentam nos empurrar essa tal democracia. Que coisa difícil essa. Analisar, dialogar, cobrar, votar… pensar. Nossa, muito trabalho. 

Bom, nós até podemos tentar essa coisa se for do nosso jeito: cada um sabendo o seu devido lugar. Sem ladainha. Para isso vamos eleger outros brasileiros que pensam exatamente como nós. Aí, sim. Caso contrário:

Bum.

domingo, 8 de setembro de 2013

Portfólio - Época

Em comemoração aos 50 anos do icônico calendário Pirelli a revista Época publicou um ensaio super-especial dos bastidores da sua mais recente edição. Como o tema das fotos girava em torno do contraste preto e branco, tanto na estética das roupas das modelos como na próprias fotos, resolvi fazer duas opções para sua abertura. A primeira com uma foto P&B e outra com uma versão colorida, mas bem dessaturada. A segunda opção foi a publicada. Revista Época ed. 795 (setembro de 2013)




Para esse divulgar esse trabalho também roterizei, criei a identidade visual e dirigi um teaser trailer que serviria para divulgar a matéria na internet. A edição do vídeo ficou a cargo de Pedro Schimidt.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Portfólio - Época

Eu adoro metalinguagem. Por isso quando surgiu a ideia de fazermos uma matéria sobre nossas pequenas escolhas automáticas do dia-dia e como isso influencia a forma como vivemos sem que notamos, logo pensei no filme Mais Estranho que a Ficção, com Will Ferrell. Sua estética se encaixava perfeitamente na proposta da matéria, com números e grafismos pulando na tela, infografando as situações cotidianas do personagem principal.


Como também tínhamos a nossa personagem, uma executiva chamada Renata Franco, que vivia um dia cheio cheio dessas pequenas escolhas, resolvi adotar uma solução parecida com a do filme. Sendo assim a talentosa fotógrafa Camila Fontana foi designada para acompanhar Renata em um dia comum de sua vida. Depois, munido das informações apuradas pela repórter Julia Korte, criei uma sequência que foi espalhada pela matéria toda, devidamente ilustrada com dados que mostram as escolhas do dia feitas pela personagem (essa sequência havia sido prevista para correr em páginas duplas, mas com a entrada de novos anúncios na revista ela teve que ser rediagramada para páginas simples).

Para a abertura da matéria reservei algo mais especial. Renata foi levada para um estúdio onde foi feita uma série de fotos suas com uma produção mais elaborada. Foi aí que abusei da metalinguagem. Todas as escolhas feitas para a foto, desde do vestido, passando pela luz e equipamentos usados pelo fotógrafo Rodrigo Schmidt, até a decisão final de qual foto seria usada por mim, estão desnudadas numa espécie de infográfico. O resultado foi um metadesign que tornou a matéria bem divertida. (Revista Época ed.797 (setembro de 2013)







sábado, 24 de agosto de 2013

Portfólio - Época

Para a matéria A comida do Futuro, capa da edição 794 da Época, ficou decidido que ela seria didivida em retrancas, ou matéria e sub-matérias, para isso busquei algumas ideias de fast-food em bancos de imagens para servir de referência para as fotos.

Aproveitando o gancho do hambúrguer sintético recém descoberto a ideia era criar um cardápio completo de uma típica refeição de lanchonete usando outras novidades gastronômicas: pão sem tigo, leite anti-alérgico e... insetos. Sim, insetos e larvas talvez estejam no cardápio das futuras gerações.

Para as fotos convidamos o experiente fotógrafo Dulla que, juntamente com o produtor Felipe Monteiro, nos ajudou a produzir as imagens das delícias que ilustram a matéria. Revista Época ed. 794 (agosto de 2013)





Entrevista para o blog NoMiolo

Entrevista que dei para a querida Nathália Halcsik, publicada no seu Blog NoMiolo, uma ótima referência para quem gosta de design editorial.

É com muito orgulho que hoje o NOMIOLO apresenta sua primeira entrevista. E para começar com o pé direito, nada melhor que o personagem ser Alexandre Lucas, 40 anos, Editor-Executivo de Arte da Revista Época e um dos grandes nomes do site Faz Caber. Preparem-se para uma aula nada básica de design editorial!


"Design é conteúdo e não dá para 
imaginar uma publicação de qualidade 
hoje em dia que não leve isso a sério".



Alexandre, qual sua formação?
Eu estudei design gráfico. Também frequentei cursos como comunicação social e ciências sociais, mas sem me formar. Também fiz diversos cursos técnicos como ilustração artística e publicitária, design digital e vídeo. De qualquer forma considero meus 20 anos dentro do mercado editorial a minha melhor escola, onde convivi e aprendi com grandes diretores de arte e alguns dos mais renomados profissionais do jornalismo. Não desconsidero a essencialidade da formação acadêmica, mas em comunicação nada será mais valioso do que a prática na minha opinião. 

Você pode descrever sua trajetória até chegar na revista Época?
Comecei estagiando em uma empresa de cursos por correspondência. Isso a muuuito tempo atrás. Quem lia revistas em quadrinhos nos anos 80 vai se lembrar. Eu era assistente de arte e criava peças de divulgação e o material didático. Tudo numa época em que a diagramação (design era uma palavra ainda um tanto distante do mundo editorial) era feita a mão, numa técnica chamada past-up. Após isso fui trabalhar na Editora Globo como colorista de quadrinhos da turma da Mônica. Também de forma artesanal, com pincel e um guache especial. Sério. E adorava. Como sempre fui apaixonado por quadrinhos foi um momento muito divertido. Cheguei até a acreditar que seguiria carreira nessa área. Mas logo chegaram os primeiros Macs e fui transferido para uma empresa que fazia a mesma pintura de forma digital, numa versão embrionária do Photoshop. Uma revolução para a época. Foi lá que voltei a ter contato com design, só que dessa vez no computador. Era o momento do QuarkXPress e PageMaker, na era paleolítica do design editorial. Lá trabalhei com peças publicitárias e revistas customizadas. Quando a Editora Globo implantou os Macs para suas revistas eu voltei, dessa vez como designer. Após ter trabalhado para inúmeras revistas da empresa, como Crescer, Globo Ciência (antiga Galileu), Marie Claire, Destino, entre outras, recebi o convite para fazer parte do projeto para uma nova publicação semanal de informação. Essa revista era a Época e lá se vão 15 anos.

Você sempre quis trabalhar com design editorial?
Minha paixão sempre foi a criação de maneira geral. Desde garoto eu fazia meus próprios quadrinhos (dobrando folhas sulfites montava minhas próprias revistinhas com personagens que eu mesmo criava). Outra coisa que adorava era ficar admirando e analisando todos os outdoors que via pela rua enquanto passeava de carro com a família (leis como a Cidade-Limpa de São Paulo não permitiriam isso hoje...rs).  Observava a ideia, as cores, a composição e até os tipos usados. Na adolescência registrava os eventos da minha turma de amigos numa espécie de fanzine bem artesanal. Eu fazia o design, ilustrações e ainda escrevia os textos, tudo na mão pois computador ainda era coisa de banco naquela época. Um outro amigo tirava cópias em xerox e distribuímos a todos. E aquilo me deixava entusiasmado. De alguma forma eu sabia que iria trabalhar com comunicação um dia. E o design editorial me parecia perfeito pois unia a forma e o conteúdo.

Como é seu processo de criação na direção de arte de uma revista semanal?
Gosto de discutir a pauta para perceber se existe algo que podemos extrair dela. Como o tempo é curto o ideal é manter o foco nas matérias que rendem mais possibilidades visuais. Quanto mais intimidade com ela melhor será o resultado. Costumo afirmar que estou ali para ajudar no processo de compreensão do tema e, de quebra, tentar deixar tudo mais atraente. Não que o resto seja menosprezado. Procuro zelar pela elegância de toda a edição e já ganhei fama de chato por isso... rs. Venho de um tempo onde o departamento de arte era considerado apenas uma área de apoio do jornalismo. Isso se devia ao fato desse aspecto ser estruturado como algo estritamente industrial naquele tempo. Era algo técnico, somente. Muitas vezes ali se ganhava o tempo perdido em outras etapas. Hoje isso mudou em muito aspectos. Os recursos tecnológicos à disposição nos permitiram manter a linha de montagem funcionando e ainda abrir espaço para a criatividade. Isso sem contar que os designers são mais especializados. Design é conteúdo e não dá para imaginar uma publicação de qualidade hoje em dia que não leve isso a sério.

Quais revistas pra você, possuem um bom projeto gráfico?
Sou um fã da Esquire americana. Sempre a considerei uma bíblia do design editorial com sua edição de arte meticulosa atenta aos mínimos detalhes, a chamada micro-edição visual. Outras que me impressionam são a New YorkerBloomberg BusinessNew Republic e a WiredTrabalhar com revistas de hardnews também me fez apreciar outros tipos de projetos, aqueles mais cleans e funcionais, numa linha mais fine design como The New York Times Magazine e The Hollywood Reporter. Também adoro ver alguns experimentalismos e rupturas como a Metropoli. Porém atualmente projetos gráficos inovadores se tornaram corriqueiros. A cada dia descubro um novo. Principalmente lá fora. Não dá para imaginar uma revista que permaneça mais de 2 anos com o mesmo projeto hoje em dia. Podem até chamar isso de tática desesperada mas a verdade é que temos que disputar a atenção com coisas mais instigantes. As velhas fórmulas monolíticas de design editorial já deram o que tinham que dar.


Quais são os detalhes fundamentais na criação de uma boa página?
Sempre digo que entender do que se trata a matéria já abre um bom leque de possibilidades visuais, pois ajuda a decidir desde a linguagem fotográfica até os grafismos que vão estar nela. Uma boa conversa com quem vai escrevê-la pode ajudar a descobrir alternativas para sair da fórmula texto/foto (assim é possível descobrir a descrição de um esquema, de uma localização geográfica ou uma amostragem de dados que seriam melhores aproveitados na forma de um infográfico, por exemplo). Na parte técnica sempre considero os cuidados com a micro-edição indispensáveis. Saber onde aplicar cores e linhas, definir decorações e até onde o texto pode ser bold ou itálico fazem uma diferença brutal no conjunto da coisa. Evitar abusar das pequenas "mágicas" como recorte de foto, text wrap (aqueles recuos no texto) e o famigerado drop shadow também deixam a página mais elegante.


"Gosto de discutir a pauta para 
perceber se existe algo que podemos 
extrair dela. Quanto mais intimidade 
com ela melhor será o resultado."


E os piores erros de diagramação?
Acho que até já disse na resposta anterior mas a falta de micro-edição visual me incomoda muito. Faz um layout parecer ter sido feito em um processador de texto. Os textos ficam chapados e jogados sem nenhum tratamento, causando uma monotonia que deixa a revista com um ar amador. Sem contar que a perda não é só estética. Esse acabamento mais detalhado muitas vezes ajuda a hierarquização das informações, principalmente em quadros e infográficos. Outra coisa ruim é o desleixo com colunagens. Erro básico, mas ainda corriqueiro. Mas nada disso supera um recuo no texto (o tal text wrap) que o torna sua passagem tão estreita que ele fica quase ilegível ou um drop shadow cafona aplicado sem contexto algum. Dói de ver.
O que você busca de um profissional que quer trabalhar com design editorial?
Um bom designer editorial tem que entender que nosso trabalho é técnico e criativo ao mesmo tempo. Não dá para ser somente um. Além de zelar pela estética ele tem que estar atento aos nós da produção. Levando também em consideração o que disse sobre o design ser conteúdo acredito que um bom designer editorial deva ser alguém bem informado, não só sobre o que lhe interessa mas em relação a tudo. Entender melhor o big picture pode ser um diferencial na hora dar o certo peso as coisas e criar um bom projeto. Ainda mais em produtos jornalísticos onde a informação é o alicerce.


Um tema muito em pauta ultimamente é o futuro dos impressos, como você vê isso?
É tudo muito incerto e inóspito. É fato que as publicações impressas perderam - e continuam perdendo - a relevância que tinham, mas mesmo assim não acredito que desaparecerão tão cedo. Eu sei que a crise do mercado de revistas e jornais está se acentuando e negar isso é loucura, mas faço a seguinte analogia: imagine uma esponja encharcada dentro de um copo. Se você começar a comprimi-la vai jogar a água para fora e o seu tamanho vai ficar menor, só que se continuar comprimindo em determinado momento não vai mais conseguir empurrá-la pois chegará ao limite de sua massa original. Dali não passa. Então imagino que esse seja o fôlego de mercado que cada publicação terá. Sua estrutura e tiragem vão ter que ser adaptadas a ele. Não imagino um futuro próximo de grandes publicações, com milhões de leitores espalhados pelo país todo, e sim, de revistas segmentadas e regionais publicadas por estruturas menores, talvez pequenas editoras ou algo do tipo e não mais por grandes complexos editoriais. Talvez por algum tempo ainda existirão pessoas interessadas em produtos assim. O quanto isso duraria eu também não sei, mas me parece mais real. Só que isso é puro exercício de futurologia. Agora o que eu acredito de verdade é que essa crise não é da comunicação e, sim, do modelo e do formato. O que acontece com a informação hoje em dia não tem paralelo na história. Eu, por exemplo, nunca consumi tanto conteúdo na vida como agora. E olha que já fui um voraz comprador de revistas e jornais, e mesmo assim não tem comparação. Hoje leio veículos que não tinha o menor hábito em ler e alguns que nem conhecia, como publicações de outros estados e até de outros países. A internet possibilitou isso e acho que estamos apenas no começo. Por isso não quero ser aquele que fica parado olhando de longe e resmungando que todo mundo hoje em dia se acha designer, jornalista, fotógrafo, etc... quero estar no bololô e ver onde isso vai dar. Como ganhar dinheiro nisso? Esta aí outra coisa eu não sei, mas se tem um fundamento do marketing que dificilmente mudará tão cedo é aquele que diz que, se você tiver uma marca forte e de grande alcance, outras marcas vão querer suas estar associadas a ela. Só que para ser popular com tanta competição você tem que ser bom e inovar... de verdade. Fazendo mais do mesmo é que não vai rolar.


"É fato que as publicações impressas 
perderam - e continuam perdendo - a 
relevância que tinham, mas mesmo assim 
não acredito que desaparecerão tão cedo".



E pra finalizar, em quem você se inspira no universo do design gráfico?
No design editorial o grande mestre da atualidade, sem dúvida nenhuma, é Arem Duplessis, diretor de design da The New York Times Magazine. A elegância do fine design que confere às capas e projetos é sempre inspiradora. Gosto também da inquietação do Richard Turley, diretor de arte da Bloomberg Business, e do estilo meticuloso do italiano Francesco Franchi, que faz das micro-edições de seus projetos e infográficos algo admirável. No universo mais amplo do design gráfico as obras de Paul RandSaul Basse Alfons Mucha sempre serão grandes influências.


E aí gostaram? Então, follow Alexandre Lucas!

Blog: http://alucasdesign.blogspot.com.br/

Twitter: https://twitter.com/alucasdesign
Instagram: http://instagram.com/ale_lucas 

 
Agora algumas de suas páginas e ilustrações: 



  


 





  















sábado, 17 de agosto de 2013

Portfólio - Teaser trailers para reportagens

Sou um daqueles que acredita que, em matéria de conteúdo, tudo pode estar interligado hoje em dia. Você não cria algo para o meio impresso ou digital. Cria para uma marca. As pessoas estão hiper conectadas e nada mais pode permanecer em uma ilha. Explorar o potencial publicitário disso também faz parte do jogo.

Pensando nisso ajudei a criar uma nova experiência na revista Época para divulgar reportagens em outros ambientes que não fossem somente o impresso: uma espécie de teaser trailer da matéria, feito em pequenos vídeos com uma pegada mais elaborada e menos formal, sem aquela chatice burocrática do "Leia em Época desta semana...".

Seu potencial pode ser explorado em diversas mídias que vão desde a web, passando pela mídia de rua eletrônica, até a TV e o Cinema.

Confira abaixo os dois primeiros exemplos que, além de criar a identidade visual, eu também dirigi. A edição de video ficou a cargo do mago Pedro Schimidt.

O primeiro, que contou com depoimentos, foi para a reportagem  Tragédia em Santa Maria, 180 dias depois:



Este outro foi para o ensaio fotográfico especial sobre os bastidores dos 50 anos do mítico Calendário Pirelli publicado na revista:

Entrevista com o type designer Peter Bil'ak

Entrevista que fiz com o designer de tipos Peter Bil'ak para o blog Faz Caber, em fevereiro de 2013.

Se algum dia você pensou em transmitir uma mensagem escrita de forma clara certamente se preocupou com o desenho da letra que usaria. Mais do que apelo estético um belo tipo pode estimular sensações e influenciar a forma como nos comunicamos. Por essa razão designers amam tipografia. Não poderia ser diferente. E é para discutir, trocar experiências, aprender e até mesmo celebrar essa paixão que vai acontecer em São Paulo, entre os dias 19 a 25 de março, o Tipocracia. O evento chega a sua décima edição - que recebeu o codinome ]tpc10[ - e vai contar com palestras, workshops e muitas discussões sobre o universo tipográfico -  sua história, tendências e novas tecnologias.



Entre as atrações nacionais e internacionais está Peter Bil’ak, respeitado designer nascido na antiga Tchecoslováquia e que hoje mora na Holanda. Especializado em tipografia e professor da Academia Real de Haia, entre seus projetos está o estúdio Typotheque, a revista Dot Dot Dote a Indian Type Foundry,  focado em tipos indianos. Conhecedor de mercados que começam a se preocupar mais com design como a China e a Índia, esta será a sua primeira vinda ao Brasil. Ele também está lançando este ano uma curiosa revista chamada Works That Work, na qual vai abordar o que ele define ser “criatividade inesperada”. Peter respondeu algumas perguntas para mim sobre tipografia, design, criatividade e até mesmo sobre atual momento do mercado editorial.

No Brasil tipografia ainda é vista como algo de pouca relevância fora do meio design. Mesmo no mercado editorial todos sabem da necessidade de um belo tipo porém poucos realmente se preocupam em dar atenção a esse aspecto. Qual é a importância da Tipografia nesse atual momento e como demonstrar esse seu papel?
Peter Bil'ak: Nos deparamos com tipografia várias vezes ao dia. Não podemos fugir dela. Ela está em tudo ao nosso redor: não só em livros, revistas e jornais, mas também em nossas telas, tablets, telefones celulares, TV, etc.  É como o ar: você não pensa muito sobre isso quando ele está bom, mas quando a qualidade cai ficamos incomodados. Da mesma forma notamos os tipos. Infelizmente, assim como o ar ruim de cidades como Pequim por exemplo, quando expostos a maus exemplos por muito tempo acabamos nos adaptando e eles tornam-se a regra. Por outro lado, quando se vê o céu claro (ou um tipo bem usado) você não troca por nada. Na Holanda, onde eu moro, a maioria dos jornais, dicionários e os principais veículos de informação são muito bem desenhados, algo que cativa o público e torna a vida um pouco mais agradável.

Muito se fala em design thinking e cérebros criativos. Você mesmo está lançando uma revista sobre "criatividade inesperada". Mas justamente neste momento difícil em que se encontra, o mercado editorial sofre uma espécie de crise criativa. Isso se deve a fórmula que se esgotou ou a falta de ousadia para apostar em novas ideias?
Peter Bil'ak: A cena editorial mudou e alguns editores que estavam acostumados ​​com as antigas condições têm mais dificuldades de se adaptar à nova situação. A economia mudou também assim como os padrões de leitura dos leitores. As pessoas têm cada vez menos tempo para se concentrar então editores lutam pela atenção delas com formas bombásticas e espetaculares de apresentar a informação. Com isso esquecemos de que, em sua essência, a leitura é uma experiência muito íntima e nós temos que respeitar o leitor.
Ao iniciar a revista Works That Work é claro que focamos o conteúdo, mas sem se esquecer de olhar para todos os aspectos da publicação, como a colaboração entre quem escreve, quem edita e quem publica. Para isso desenvolvemos uma plataforma de publicação que facilitou essa colaboração e permitiu manter um única fonte de texto que nós podemos publicar tanto no impresso, no online ou em ebooks. Tivemos também que investir em nossa web, que é o ponto de partida para se descobrir o projeto, e  repensar a relação com os nossos leitores. Eles não são apenas indivíduos anônimos. São parceiros da revista. Eles financiaram o projeto antes mesmo que ele existisse e agora aprofundamos esta relação. Assim os leitores se tornam nossos distribuidores - e em troca eles são recompensado por seus esforços. Tentamos procurar a rota mais curta do editor para o leitor, evitando os intermediários.



Por muito tempo o "leitor" era uma figura abstrata nas redações. Uma síntese de anseios que se confundiam com nossas próprias convicções e expectativas. Graças a internet hoje essa entidade tem voz e muitas vezes ela fala alto. Sempre é dito que devemos nos encontrar com esse leitor. Escutá-lo. Se ele está aí e mesmo assim muitas vezes não os estamos escutando, o que está acontecendo? Estamos falando línguas diferentes?
Peter Bil'ak: Trabalhar em equipes grandes, sob pressões comerciais e pouco tempo, pode levar a um pensamento esquizofrênico onde não se sabe se está fazendo o melhor trabalho, mas se convence que é o que o público quer. Nós subestimamos o leitor e esquecemos que todos nós somos leitores.
Felizmente, hoje, é mais fácil do que nunca se conseguir a interação real entre quem produz e quem consome conteúdo. E até mesmo trocar de papéis às vezes. Ao tratar os nossos leitores não apenas como consumidores passivos eles podem até contribuir para a publicação também.

Eventos de design como o Tipocracia e outros que acontecem no Brasil ainda são iniciativas espartanas, muitas vezes conduzidas pelos próprios profissionais interessados no amadurecimento da area. Europa e Estados Unidos já estão a anos-luz na nossa frente nesse aspecto. Chegamos tarde demais ou isso é um sinal de que o Brasil está se tornando um major player no campo do design mundial?
Peter Bil'ak: Eu não estou familiarizado com o Brasil e seu cenário cultural, mas a partir de minhas experiências em outros lugares como a China ou  Índia eu vejo que o design se torna cada vez mais importante e as pessoas percebem que querem ser parte importante do mundo (e não apenas sua parte "mão-de-obra"). Eles procuram encontrar sua própria voz, sua identidade própria e o design ajuda nessa emancipação. Nós esquecemos de que "design" não é somente alguns objetos legais em algum museu , mas praticamente tudo o que é feito por seres humanos. Estive viajando para a Índia nos últimos 6 anos e presenciei um progresso incrível e um aumento de interesse em objetos bem desenhados e processos. Seis anos atrás era difícil de explicar o que eu faço, agora eu me encontro com centenas de jovens designers com espírito empreendedor. Me deparo com discussões sérias sobre o papel dos designers, publicações, palestras, etc.  Eu imagino  que algo semelhante deva estar acontecendo no Brasil e eu estou muito curioso para ver isso pessoalmente.



O que é mais importante no trabalho: conhecimento técnico, espírito empreendedor ou criatividade inesperada?
Peter Bil'ak: Como você pode imaginar todas as três partes são importantes e vitais, principalmente se você trabalhar por conta própria. Mas se alguém quer ser um especialista trabalhando dentro de uma organização pode ser uma boa escolher apenas uma.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Como os jornais imaginavam o seu futuro em 1981

"Imagine você se sentando para o seu café da manhã, ligando o seu computador pessoal e lendo o jornal do dia..." É assim que começa essa reportagem exibida pelo canal americano KRON, de São Francisco. Até aí nada demais se não fosse por um detalhe: ela foi exibida em 1981!
Já prevendo uma futura revolução digital a matéria mostra os esforços da indústria de jornais dos EUA na busca de se adaptar a esse possível novo mundo. Com um tom de fascinação e otimismo mal sabiam que aqueles seriam os primeiros passos na tentativa de garantir sua sobrevivência.



Não consigo deixar de pensar nas piadinhas espertalhonas e na resistência que aqueles malucos deviam encontrar dentro das redações.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Portfólio - Época

Para representar essa passagem de tempo o design dessa matéria sobre a atual onda retrô eu simulei características gráficas das revistas de cada década, como o tipo principal e os grafismos. A textura de papel antigo no fundo das páginas deu um ar de revista velha e foi “desamarelando” de acordo com a passagem do tempo. A ilustração tipográfica que fiz para abrir a matéria também recebeu uma leve duplicação de cores para que parecesse fora de registro, coisa comum em publicações antigas quando os recursos de impressão eram mais limitados. Revista Época ed. 715 (janeiro de 2012).

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Por que eu gostava do Instagram... e ainda gosto

Um dia, lá em 2010, eu troquei meu velho celular da LG por um iPhone 4. Entre tantos apps que eu "tinha que ter" me sugeriram um tal de Instagram. "Lá você posta suas fotos com filtros e todo mundo vê, dá like e comenta. É pouco conhecido por aqui ainda, mas é bem divertido. Você que gosta de fotos vai adorar". Ok, porquê não?

Tudo verdade. O trequinho era bem divertido e realmente tinha poucos brasileiros. Mesmo muitos que já tinham iPhone por aqui pareciam não se interessar muito. Naquele momento minha percepção era que o domínio absoluto do reino da fotografias quadradinhas com bordinhas e saturadas por filtros pertencia aos japoneses. Minha timeline até então era composta de uns 70% de fotinhos de belas paisagens urbanas do Japão e suas comidas coloridas. E os caras já mandavam muito bem. (Cabe aqui o primeiro parênteses dessa historinha: eu acredito que o critério mandar bem é algo muito pessoal no Instagram. Para mim, por exemplo, levava em conta paisagens urbanas inusitadas e um olhar diferente sobre aquilo. O filtro dava um clima mas o que me interessava era ver o que a pessoa estava vendo/fazendo naquele momento). Dessa forma, deitado na minha cama antes de dormir, eu podia ver o lugar onde alguém tomava seu café da manhã em Tóquio. Uma espécie de voyeurismo sócio-cultural instantâneo e consensual. Comecei a me empolgar.


Mais uma doença virtual
De repente, talvez por um desses já naturais efeito de disseminação digital, comecei a encontrar muitas pessoas de outros lugares do mundo. Quando eu dava um find friends já percebia que a suposta hegemonia nipônica estava sendo duramente abalada. Lembro-me que os vizinhos mais próximos dos japoneses sofreram uma epidemia sem controle dessa doença com filtrinhos, tanto que uma das hashtags mais populares no Instagram até hoje é o #iphonesia, uma junção de iPhone e Indonésia, muito usada inicialmente para fotos daquele país e que atualmente é aplicada por muitos a qualquer tipo de foto por causa da sua popularidade. (Hashtag, para quem não sabe ainda, é uma forma de designar o assunto/tema com o uso da palavra-chave precedida do simbolo #. Seu uso é parecido com o do Twitter mas no Instagram elas acabam criando uma espécie de álbum fotográfico de cada tema. Gosto de pensar que isso vai ser de grande valia para os arqueólogos digitais do futuro quando eles forem revirar todas essas imagens).
Era de se esperar que logo esse contágio atingiria o ocidente. Primeiros os europeus. Depois os americanos. Uma enxurrada deles. Assim eu já eu não precisava mais me contentar somente com sashimis, doces com embalagens super-coloridas ou alguém preso no trânsito paulistano de Jacarta ou Kuala Lumpur. Agora, na minha ronda fotográfica noturna eu podia passear por paisagens lúdicas de pequenas cidades da Holanda, acompanhar um garoto americano que explorava visualmente sua cidadezinha no interior de Arkansas, observar pessoas de diversas etnias compartilhando um vagão lotado do metrô em Nova York ou me deparar com uma comida esquisita de Noruega que o autor da foto gentilmente descrevia em um inglês limitado, porém esforçado, para que todos pudessem entender o que era. Foi assim também que conheci uma banda de rock clássico que nunca tinha ouvido falar do rincão gelado da Finlândia e pude acompanhar uma espécie de diário fotográfico de um dos seus membros enquanto gravavam suas músicas ou tocavam em pequenos clubes. 
O que parecia somente mais uma modinha hipster estava ficando cada vez mais interessante. Pronto... eu também estava doente.


I speak inglês, do you não entende because é ignorante
Não demorou muito e comecei a fazer amigos virtuais por lá e com eles trocava muitas ideias via comments sobre amenidades. Todos nós curiosos pela situações ou objetos fotografados. Curiosos pela cultura um do outro. E toca eu me esforçar no meu inglês autodidata.
O idioma naturalmente havia se tornado a língua oficial ali também, mas tinha algo diferente. As pessoas de outros lugares do mundo pareciam também nem se importar muito se o estavam escrevendo direito (excetuando os nossos amigos de origem anglo-saxã... e mesmo assim olhe lá!). O mais importante era ser razoavelmente entendido. Com mil perdões aos mais letrados mas a palavra ali estava em segundo lugar. Estávamos no reino das imagens. E elas reinavam lá. Milhões delas. De todos os tipos e para todos os gostos, com ou sem filtros, inusitadas ou óbvias, pretensiosas ou simplesmente tiradas a esmo. Um dos maiores registros fotográficos do mundo e de uma época concebido por milhões de empolgados fotográfos de primeira viagem. E para a maior parte delas nem necessitava realmente de explicação.



Lá vem a turma do "mimimi"
Como é natural no comportamento do bicho-homem a turma do contra logo começou mimimizar: "Agora todo mundo pensa que é fotógrafo. Bota um filtrozinho besta e já se acha". Ok, não nego que tirar uma foto bonita, ornamentada com um filtro que simula condições de luz e cor que você não saberia nem como começar a fazer de forma convencional, sobe um pouco a cabeça. Mas te garanto que se você tiver o mínimo de semancol é fácil cair na real. Não sou fotógrafo. Continuo a acreditar que a técnica essencial para tal está na mãos dos grandes profissionais, alguns deles com quais já tive o orgulho de trabalhar. Mas também percebia que o Instagram mudava a percepção que muitas pessoas tinham da fotografia. Você logo notaria isso na inegável evolução do olhar de quem era leigo, começava a brincar ali e acabava se tornando um hard user. Até os filtros passavam a ser usados com mais sabedoria. E uma coisa eu posso garantir: ainda tem muita gente até hoje que tira tanta foto ruim que não há filtro que salve.


O poder da autopromoção
Daí para o uso profissional da coisa foi  um passo. Sim, em algum momento descobri que ele era uma ótima vitrine se você é designer, estilista, arquiteto, ilustrador e, obviamente, fotógrafo. E como eu disse acima, até se você fosse músico ele poderia ser de grande valia para promover seu trabalho. No meu caso bastou eu postar um ou outro trabalho meu ali e hashtaguear corretamente para fazer amizade e trocar contatos com outros profissionais do mundo todo. Passei a seguir boa parte deles. Também comecei a acompanhar de perto ótimos fotógrafos, ilustradores, designers brasileiros e gringos com quais me divirtia e treinava meu olhar. Os grandes veículos de comunicação americanos e europeus também entenderam esse potencial e já faziam coberturas jornalísticas fotográficas por lá também (no auge do Ocuppy Wall Street, por exemplo, parte da imprensa local nova-iorquina usou e abusou do Instagram). Até o presidente Barack Obama já tinha sua conta lá e a usava na campanha para reeleição. A coisa começava a ficar séria.


Pausa para dica
Aí entra a importância do hashtag.  Se você é designer gráfico, por exemplo, se torna mais fácil para alguém achar uma imagem sua se ela estiver no álbum #graphicdesign ou #designgrafico. Tá certo... ver a eficácia disso na quantidade de visitas que sua foto tem e nos likes que ela recebe faz com que você se empolgue e adicione cada vez mais tags. Alguns chegam ao ponto de tornarem tagfreaks com cada foto acompanhada por lista interminável e esquisita de tags. Mas, por experiência própria que quase já fui um desses, digo que se você for mais preciso e econômico terá praticamente o mesmo resultado. E ainda não vai passar por um obcecado em likes.

Demorou, mas pegou
De uns tempos pra cá ele começou a cativar também os brasileiros. Aos poucos fomos perdendo a vergonha e começamos a postar em peso. Até que pegou por aqui também. Maioria, como era rotina aos que acabavam de chegar, costumavam fazer um uso totalmente "facebookiano" do Instagram, mostrando seus bons momentos com amigos e família. Boa parte acabava ficando por aí mesmo o que resultava no desinteresse rápido com a certeza que para isso o Facebook ainda era mais legal - e por ser mais abrangente é mesmo. Isso geralmente se caracterizava quase como um primeiro estágio do uso do Instagram.  Mesmo que para muitos era o suficiente, fazendo do aplicativo uma espécie de diário, para outros o interessante era explorar seus recursos, inclusive tratando suas imagens previamente em outros aplicativos como Photoshop Express, Camera+, PicShop, Tiltshift, entre outros, antes de postá-las. Começavam se precupar mais com o ângulo ou luz das fotos, buscavam definir um estilo e/ou se tornavam temáticos.

Por outro lado existiam aqueles que se cansavam de ver fotos de pôr-do-sol, comidas, asas de avião ou de pezinhos e desistiam por simplesmente não fazerem questão de mergulhar muito naquele gigantesco mar de fotografiazinhas. Mas assim como qualquer rede social isso era do jogo...  e para os mais impacientes vale lembrar que sempre existia a opção mágica do unfollow. Ser desadicionado no Instagram era algo normal. A todo momento alguém se enchia das minha fotos, por exemplo, e eu observava o contador de seguidores descer. As vezes eram dezenas de descontentes de uma vez só. Mas bastava algumas fotinhos novas e lá surgiam novos seguidores. Esse sobe e desce era constante e para mim só deixava a coisa mais bacana e desafiadora.

O eterno desejo humano em ser especial
Aí saiu a versão do Instagram para o sistema Android. Acabava aí a exclusividade da turma do iPhone. Mais mimimi. E com um tom desesperado. Todos agora falando da temida "orkutização" do Instagram. O termo, de conotação pejorativa, foi criado para se referir à adesão daquele usuário precoceituosamente enquadrado como pobre, de mal-gosto ou de pouca cultura, numa alusão maldosa aos que ainda permanecem no Orkut. Ok, reproduzir o mesmo comportamento exclusivista que temos em sociedade no mundo digital já é algo comum. Mas penso que isso não condiz com o caráter democrático da rede. Acreditar que todas as informações ou serviços disponíveis no mundo digital são exclusividades de poucos é uma tremenda baboseira. E é claro que alguns podem querer privacidade. Mas para isso sempre há os recursos que bloqueiam o acesso aos perfis. De qualquer modo no Instagram isso se torna ainda mais descabido pois, além do unfollow já mencionado, você também pode selecionar quem irá admirar suas fotos simplesmente restringindo o acesso livre a elas. Só quem você quiser irá vê-las. E por ser uma rede social exclusiva para smartphones (por enquanto, apesar de sites como Statigram, ainda não é fácil interagir com o perfil da pessoa no Instagram pela internet) a coisa fica ainda mais difícil para os stalkers, os bisbilhoteiros da vida digital alheia.


Vamos todos sair para brincar na rua
A compra do Instagram pelo Facebook pode mudar isso, claro. Até já existe um movimento forte entre os Instagramers ou simplemente Igers (é como se auto-denominam os usuários do aplicativo) para forçar Zuckerberg e sua equipe a deixar as coisas como estão. E essa turma pode não ser comparável as quase 1 bilhão de usuários do Facebook mas já mostra sua força com eventos como o 1º Congresso de Instagramers que acontecerá em Torrevieja, Espanha, dias 5 e 6 de maio.

De qualquer forma nada disso me tira o sono (minha insônia tem outros motivos). Redes sociais estão aí para interligar pessoas. Seja por palavras, fotos, vídeos ou sons. Tudo faz parte de um banco de dados inesgotável de conhecimento (ou da falta dele, não importa). Movido por uma das melhores qualidades humanas: a curiosidade. E isso é o que interessa para mim. Me considero uma criatura visual. Nesse caso o Instagram se tornou um ótimo laboratório para mim. Lá eu posso ver e testar novas fórmulas imagéticas, de forma quase automática. Divulgar meu trabalho ou admirar imagens criadas por pessoas com interesses em comum. Sim, sei que existem outras iniciativas tão ou mais funcionais como Pinterest, Behance, Flickr, Tumblr, mas a praticidade e a instantaneadade do Instagram me permite além de tudo observar e conhecer lugares que nunca estive (e alguns que provavelmente nunca estarei) retratados por pessoas comuns que estão lá... neste exato momento. Dar likes desenfreados nas festas divertidas de amigos ou no orgulhoso conhecido que posta sua paixão por cervejas. Todos a quilometros de distância de mim mas com aquela frestinha digital aberta para eu dar uma espiada. Me permite também e por que não compartilhar os meus próprios momentos e criar diários fotográficos para minhas viagens e projetos. Para mim não se trata apenas de filtros ou glamour.

Hoje, quando revejo minha timeline de fotos sei exatamente quando e como cada uma delas foi tirada e, principalmente, o que me fez tirá-las. E espero, de verdade, que o Instagram exista pelos próximos 20, 30 ou 40 anos e eu possa estar vivo para sentar e rever alguns dos momentos da minha vida vistos pelos olhos de quem mais me interessa: eu mesmo.


Quem quiser me seguir no Instagram é só adcionar  @alucasdesign