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domingo, 8 de setembro de 2013

Portfólio - Época

Em comemoração aos 50 anos do icônico calendário Pirelli a revista Época publicou um ensaio super-especial dos bastidores da sua mais recente edição. Como o tema das fotos girava em torno do contraste preto e branco, tanto na estética das roupas das modelos como na próprias fotos, resolvi fazer duas opções para sua abertura. A primeira com uma foto P&B e outra com uma versão colorida, mas bem dessaturada. A segunda opção foi a publicada. Revista Época ed. 795 (setembro de 2013)




Para esse divulgar esse trabalho também roterizei, criei a identidade visual e dirigi um teaser trailer que serviria para divulgar a matéria na internet. A edição do vídeo ficou a cargo de Pedro Schimidt.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Portfólio - Época

Eu adoro metalinguagem. Por isso quando surgiu a ideia de fazermos uma matéria sobre nossas pequenas escolhas automáticas do dia-dia e como isso influencia a forma como vivemos sem que notamos, logo pensei no filme Mais Estranho que a Ficção, com Will Ferrell. Sua estética se encaixava perfeitamente na proposta da matéria, com números e grafismos pulando na tela, infografando as situações cotidianas do personagem principal.


Como também tínhamos a nossa personagem, uma executiva chamada Renata Franco, que vivia um dia cheio cheio dessas pequenas escolhas, resolvi adotar uma solução parecida com a do filme. Sendo assim a talentosa fotógrafa Camila Fontana foi designada para acompanhar Renata em um dia comum de sua vida. Depois, munido das informações apuradas pela repórter Julia Korte, criei uma sequência que foi espalhada pela matéria toda, devidamente ilustrada com dados que mostram as escolhas do dia feitas pela personagem (essa sequência havia sido prevista para correr em páginas duplas, mas com a entrada de novos anúncios na revista ela teve que ser rediagramada para páginas simples).

Para a abertura da matéria reservei algo mais especial. Renata foi levada para um estúdio onde foi feita uma série de fotos suas com uma produção mais elaborada. Foi aí que abusei da metalinguagem. Todas as escolhas feitas para a foto, desde do vestido, passando pela luz e equipamentos usados pelo fotógrafo Rodrigo Schmidt, até a decisão final de qual foto seria usada por mim, estão desnudadas numa espécie de infográfico. O resultado foi um metadesign que tornou a matéria bem divertida. (Revista Época ed.797 (setembro de 2013)







sábado, 17 de agosto de 2013

Entrevista com o type designer Peter Bil'ak

Entrevista que fiz com o designer de tipos Peter Bil'ak para o blog Faz Caber, em fevereiro de 2013.

Se algum dia você pensou em transmitir uma mensagem escrita de forma clara certamente se preocupou com o desenho da letra que usaria. Mais do que apelo estético um belo tipo pode estimular sensações e influenciar a forma como nos comunicamos. Por essa razão designers amam tipografia. Não poderia ser diferente. E é para discutir, trocar experiências, aprender e até mesmo celebrar essa paixão que vai acontecer em São Paulo, entre os dias 19 a 25 de março, o Tipocracia. O evento chega a sua décima edição - que recebeu o codinome ]tpc10[ - e vai contar com palestras, workshops e muitas discussões sobre o universo tipográfico -  sua história, tendências e novas tecnologias.



Entre as atrações nacionais e internacionais está Peter Bil’ak, respeitado designer nascido na antiga Tchecoslováquia e que hoje mora na Holanda. Especializado em tipografia e professor da Academia Real de Haia, entre seus projetos está o estúdio Typotheque, a revista Dot Dot Dote a Indian Type Foundry,  focado em tipos indianos. Conhecedor de mercados que começam a se preocupar mais com design como a China e a Índia, esta será a sua primeira vinda ao Brasil. Ele também está lançando este ano uma curiosa revista chamada Works That Work, na qual vai abordar o que ele define ser “criatividade inesperada”. Peter respondeu algumas perguntas para mim sobre tipografia, design, criatividade e até mesmo sobre atual momento do mercado editorial.

No Brasil tipografia ainda é vista como algo de pouca relevância fora do meio design. Mesmo no mercado editorial todos sabem da necessidade de um belo tipo porém poucos realmente se preocupam em dar atenção a esse aspecto. Qual é a importância da Tipografia nesse atual momento e como demonstrar esse seu papel?
Peter Bil'ak: Nos deparamos com tipografia várias vezes ao dia. Não podemos fugir dela. Ela está em tudo ao nosso redor: não só em livros, revistas e jornais, mas também em nossas telas, tablets, telefones celulares, TV, etc.  É como o ar: você não pensa muito sobre isso quando ele está bom, mas quando a qualidade cai ficamos incomodados. Da mesma forma notamos os tipos. Infelizmente, assim como o ar ruim de cidades como Pequim por exemplo, quando expostos a maus exemplos por muito tempo acabamos nos adaptando e eles tornam-se a regra. Por outro lado, quando se vê o céu claro (ou um tipo bem usado) você não troca por nada. Na Holanda, onde eu moro, a maioria dos jornais, dicionários e os principais veículos de informação são muito bem desenhados, algo que cativa o público e torna a vida um pouco mais agradável.

Muito se fala em design thinking e cérebros criativos. Você mesmo está lançando uma revista sobre "criatividade inesperada". Mas justamente neste momento difícil em que se encontra, o mercado editorial sofre uma espécie de crise criativa. Isso se deve a fórmula que se esgotou ou a falta de ousadia para apostar em novas ideias?
Peter Bil'ak: A cena editorial mudou e alguns editores que estavam acostumados ​​com as antigas condições têm mais dificuldades de se adaptar à nova situação. A economia mudou também assim como os padrões de leitura dos leitores. As pessoas têm cada vez menos tempo para se concentrar então editores lutam pela atenção delas com formas bombásticas e espetaculares de apresentar a informação. Com isso esquecemos de que, em sua essência, a leitura é uma experiência muito íntima e nós temos que respeitar o leitor.
Ao iniciar a revista Works That Work é claro que focamos o conteúdo, mas sem se esquecer de olhar para todos os aspectos da publicação, como a colaboração entre quem escreve, quem edita e quem publica. Para isso desenvolvemos uma plataforma de publicação que facilitou essa colaboração e permitiu manter um única fonte de texto que nós podemos publicar tanto no impresso, no online ou em ebooks. Tivemos também que investir em nossa web, que é o ponto de partida para se descobrir o projeto, e  repensar a relação com os nossos leitores. Eles não são apenas indivíduos anônimos. São parceiros da revista. Eles financiaram o projeto antes mesmo que ele existisse e agora aprofundamos esta relação. Assim os leitores se tornam nossos distribuidores - e em troca eles são recompensado por seus esforços. Tentamos procurar a rota mais curta do editor para o leitor, evitando os intermediários.



Por muito tempo o "leitor" era uma figura abstrata nas redações. Uma síntese de anseios que se confundiam com nossas próprias convicções e expectativas. Graças a internet hoje essa entidade tem voz e muitas vezes ela fala alto. Sempre é dito que devemos nos encontrar com esse leitor. Escutá-lo. Se ele está aí e mesmo assim muitas vezes não os estamos escutando, o que está acontecendo? Estamos falando línguas diferentes?
Peter Bil'ak: Trabalhar em equipes grandes, sob pressões comerciais e pouco tempo, pode levar a um pensamento esquizofrênico onde não se sabe se está fazendo o melhor trabalho, mas se convence que é o que o público quer. Nós subestimamos o leitor e esquecemos que todos nós somos leitores.
Felizmente, hoje, é mais fácil do que nunca se conseguir a interação real entre quem produz e quem consome conteúdo. E até mesmo trocar de papéis às vezes. Ao tratar os nossos leitores não apenas como consumidores passivos eles podem até contribuir para a publicação também.

Eventos de design como o Tipocracia e outros que acontecem no Brasil ainda são iniciativas espartanas, muitas vezes conduzidas pelos próprios profissionais interessados no amadurecimento da area. Europa e Estados Unidos já estão a anos-luz na nossa frente nesse aspecto. Chegamos tarde demais ou isso é um sinal de que o Brasil está se tornando um major player no campo do design mundial?
Peter Bil'ak: Eu não estou familiarizado com o Brasil e seu cenário cultural, mas a partir de minhas experiências em outros lugares como a China ou  Índia eu vejo que o design se torna cada vez mais importante e as pessoas percebem que querem ser parte importante do mundo (e não apenas sua parte "mão-de-obra"). Eles procuram encontrar sua própria voz, sua identidade própria e o design ajuda nessa emancipação. Nós esquecemos de que "design" não é somente alguns objetos legais em algum museu , mas praticamente tudo o que é feito por seres humanos. Estive viajando para a Índia nos últimos 6 anos e presenciei um progresso incrível e um aumento de interesse em objetos bem desenhados e processos. Seis anos atrás era difícil de explicar o que eu faço, agora eu me encontro com centenas de jovens designers com espírito empreendedor. Me deparo com discussões sérias sobre o papel dos designers, publicações, palestras, etc.  Eu imagino  que algo semelhante deva estar acontecendo no Brasil e eu estou muito curioso para ver isso pessoalmente.



O que é mais importante no trabalho: conhecimento técnico, espírito empreendedor ou criatividade inesperada?
Peter Bil'ak: Como você pode imaginar todas as três partes são importantes e vitais, principalmente se você trabalhar por conta própria. Mas se alguém quer ser um especialista trabalhando dentro de uma organização pode ser uma boa escolher apenas uma.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Portfólio - Época

Para representar essa passagem de tempo o design dessa matéria sobre a atual onda retrô eu simulei características gráficas das revistas de cada década, como o tipo principal e os grafismos. A textura de papel antigo no fundo das páginas deu um ar de revista velha e foi “desamarelando” de acordo com a passagem do tempo. A ilustração tipográfica que fiz para abrir a matéria também recebeu uma leve duplicação de cores para que parecesse fora de registro, coisa comum em publicações antigas quando os recursos de impressão eram mais limitados. Revista Época ed. 715 (janeiro de 2012).

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Algumas definições sobre Design Editorial V - Diagramação

A diagramação (ou layout) é quando o designer dispõe de forma harmoniosa todos os elementos gráficos que vão ajudar compreensão de uma história, utilizando fundamentos visuais no uso das cores e tipografia.

Como dito antes não basta apenas o designer distribuir o que tem a disposição de forma agradável, abusar de cores e tipos que teremos uma boa diagramação. Obviamente o valor estético nesse momento deve ser contemplado e não há ninguém melhor que o profissional de design gráfico para fazer com que isso se torne realidade. Mas seguindo o briefing inicial e já tendo em mente a importância de infográficos e fotografias o designer deve procurar distribuí-los de forma que o conteúdo do texto seja enriquecido pelos elementos visuais. A diversão fica por conta da criação de grafismos que colaborem com isso, mas nunca se tornem competitivos com a informação. Contextualizar e dosar essa utilização é que torna o design de uma matéria elegante e inteligente. Recorrer a ilustrações ou ícones sempre é bem-vindo, desde que se observe as mesmas regras aplicadas a todos os outros elementos gráficos.

Em outros dois aspectos o designer editorial pode se tornar uma peça importante e, muitas vezes, definitiva para edição visual de uma matéria: na concepção da abertura de uma matéria e na micro-edição.

Abertura
É a porta de entrada para qualquer matéria. O leitor costuma avaliar se mergulha ou não em uma reportagem pelo primeiro impacto, que geralmente é visual. Só depois disso ele decide se começará a ler ou não. Outros fatores pesam muito nessa decisão, é claro. Um bom título e uma linha fina (olho) instigante contribuem muito também. Mas se isso estiver aliado a uma boa ideia visual o poder de atração se torna instantâneo. Em muitos casos uma boa foto criativa e bem executada resolve, mas quando uma solução meramente fotográfica se torna insuficiente para definir como se iniciará a história vale a pena investir em uma obra conceitual, que exprima um conceito geral do que estará abordado na materia. Para isso o designer pode contar com todo o seu know-how criativo e elaborar alguma montagem fotográfica, usar uma ilustração ou mesmo partir para algo tipográfico, dando força ao título (conhecido como all type).

Micro-edição visual
No quesito design é isso costuma diferenciar as grandes publicações das amadoras. Numa avaliação simplista é aquilo “que o leitor nem percebe”. São as variações de cores e pesos nas fontes em todos os textos de apoio ao texto principal (quadros, tabelas, infográficos, etc.). Costumam também receber fios (linhas), ícones e sinais gráficos. Muito confundida com simples capricho cosmético a micro-edição vai além, tornando a compreensão de pequenos textos muito mais clara. O resultado final disso acaba por deixar as páginas muito mais elegantes e com um ar extremamente organizado e profissional.

Algumas definições sobre Design Editorial IV - Infografia
Algumas definições sobre Design Editorial III - Fotografia
Algumas definições sobre Design Editorial I

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"Falando" através dos tipos


Venho a algum tempo querendo postar essa interessante analogia com tipos feita pelo designer gráfico chileno Juan Pablo de Gregorio que encontrei em minhas andanças pela internet. Com certeza a escolha tipográfica é um dos desafios mais prazerosos na hora de se elaborar um trabalho gráfico com textos e pensando nisso Juan demonstra que a conexão entre a palavra escrita e a falada pode ser maior do que muitos pensam.

Representar isso tipograficamente pode parecer complicado mas na verdade você perceberá que é mais simples do que se imagina. Basta sempre se lembrar a quem você quer transmitir sua mensagem. Por exemplo: quando você diz "te amo" a pessoa amada seu tom de voz certamente estará carregado de doçura. Agora se a pessoa for sua mãe você dirá isso com mais ternura. E, por fim, se quiser passar essa mesma mensagem a um amigo muito querido sua voz transmitirá afeto. Veja alguns exemplos para se entender melhor a sensibilidade através dos tipos (tomei a liberdade de fazer uma tradução livre e inserções próprias ao texto de Juan):

Clareza


Imaginemos a voz de nossa professora primária. Aquela que nos ensinou a ler. Possivelmente com uma voz simpática e entusiasmada. Sempre fazendo esforços gigantescos para que sua voz seja a mais clara possível e priorizando ensinar palavras fáceis com sons muito simples para que as crianças não se confundam na hora de desenhar as letras.

Classe


Pense agora como seria a escrita da voz de um síndico de um edifício de alto padrão. Ele é um senhor conservador e que da valor as coisas antigas. Nunca vacila com o idioma e usa a plenitude de seu vocabulario correto, seja com seu neto de 6 anos ou com um executivo amigo. É pontual e muito refinado. Só escuta música clássica e usa roupas bem alinhadas. Possivelmente usa um par de sapatos impecavelmente engraxados aos domingos pela manhã somente para ir a comprar o jornal.

Simpatia


Pense naquele figura que tenha sido um gordinho simpático toda sua vida. Tem por volta de 30 anos porém esbanja infantilidade. Uma reunião do pessoal das antigas nunca seria o mesmo sem ele e todos se reúnem ao seu redor para ouvir suas divertidas histórias, sempre contadas com uma voz alta, alegre e de entusiasmo único.

Psicodelismo


A voz de um hippie é bem característica. É calma e quase cantada. Fala somente frases pré fabricadas e defende ideais que talvez nem ele mesmo entenda. Adora o ar livre e o contato com a natureza, sempre com suas roupas largas e despojadas pontuadas por muitos adereços artesanais esquisitos.

Vanguarda


É um jovem transgressor, porém contido. Consome tecnologia como um louco e adora passar horas em frente ao seu computador. Adora experimentar vozes estranhas recheadas de expressões únicas e em constante mutação. Está com a cabeça mais no futuro do que no passado. Não pensa duas vezes em sacar seu iPhone conectado a uma banda larga mega-rápida para consultar sobre alguma coisa simples a decidir ou lembrar algum fato histórico que alguém já disse ter sido interessante antes da invenção da internet.

Adolescência (feminina)


A voz da menina adolescente é ingênua, tímida porém com um entusiasmo próprio da idade. Ela geralmente é segura de si dentro de seu universo de complicações simples e quer transmitir a elegância e a distinção das mulheres mais velhas.

Sofisticação (feminina)


A irmã mais velha, um pouco mais madura e já tem certeza do que quer. É solteira convicta e se considera uma artista plástica que gosta de estar antenada culturalmente. Adora cinema alternativo, é elegante e sabe, como nenhuma outra, andar de salto alto. Em um evento fashion sabe ser sofisticada e se distinguir das demais.

Formalidade


Um jornalista do noticiário possui a voz clara e pausada. Ele lê as notícias da maneira mais formal possível, sem atropelos e demonstrando o minímo de emoção. É jovem mas nem tanto, querendo sempre passar a impressão de ser mais maduro do que é. Centrado, estudioso e bem comportado. Evita a todo custo constranger a si mesmo.

Dinamismo


O tom de voz de um esportista é mais rústico e simples. Robusto, dinâmico, forte e decidido tenta sempre transmitir suas habilidades em competir. O amor ao seu estilo de vida empresta um ar passional e quase religioso as suas falas.

A mistura de "vozes"
Para os designers mais experientes o processo de se escolher uma determinada fonte é tão apaixonante e criterioso quanto a um diretor fazer um casting de talentos para um programa de tv. Pensando assim nunca escolheriamos o gordinho simpático para apresentar as notícias do dia mas o seu carisma pode ser mesclado com a sofisticação e a elegância da moça artista e a formalidade e a clareza do jornalista quando o tema é um programa de variedades, por exemplo.



Essa é uma forma bem bacana de se pensar tipos e você pode praticar pensando em outras vozes e automaticamente associar uma fonte a ela. Seu trabalho ganhará personalidade e transmitirá a mensagem de forma mais clara ao seu público-alvo.

Para saber mais sobre Juan Pablo de Gregorio visite o seu blog, Letritas.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Fontes profissionais de graça


Diversas pessoas me perguntam como conseguir fontes bonitas e totalmente grátis, por isso resolvi postar aqui uma dica que não é lá tão nova assim. No site da revista americana de design gráfico Smashing Magazine eles disponibilizaram 40 fontes para baixar. Nada daquelas cafonas fontes fantasias que vemos por aí. Fontes excelentes que, bem usadas, vão dar um ar profissa para o seu trabalho. Corre lá.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Crie sua própria fonte


Essa dica é do meu amigo Ricardo Martins, da Época, e virou mania entre a galera da arte da revista: o site Fontstruct. Nele é super-fácil e rápido criar uma fonte personalizada. O editor dele, apesar de um pouco limitado, é muito intuitivo e possui uma boa palete com muitas opções de formas e desenhos. Ideal para quem não tem muito conhecimento em tipografia. Para profissionais pode ser uma interessante alternativa quando é preciso criar aquela capitular ou chamada diferenciada sem muito trabalho e com custo zero, pois - o melhor de tudo - você pode gerar um arquivo .ttf (TrueType) e baixá-lo para seu computador. Isso sem contar que é possível você trocar suas criações com outros usuários. Tudo através do próprio site. Show de bola.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Kerning também é design


Por mais que o título deste post possa soar óbvio para muitos designers ainda existem profissionais que não se preocupam com isso. Antes de mais nada vale uma explicaçãozinha rápida sobre a diferença entre kerning e tracking: kerning é o processo em que se aumenta ou reduz o espaço entre pares de letras e tracking é o mesmo efeito só que em um bloco de texto, podendo assim "apertar" ou "abrir" a parte onde foi aplicado.

Sobre o segundo pouco tem que se falar, a não ser que sempre é recomendado um bom senso estético básico para que o texto não fique muito apertado ou espaçado demais dificultando assim a leitura. O meu foco é o kerning que tem muita utilidade em trabalhos onde as palavras recebem um grande destaque geralmente com um tamanho de corpo da fonte bem maior (Ex.: títulos, chamadas de capa, slogans, frases destacadas, etc.).

Muitos (mas muitos mesmo!) designers da área editorial ignoram o kerning por simples preguiça ou por falta de noção estética mesmo. Está certo que em algumas mídias que necessitam uma maior agilidade como jornais diários ou revistas semanais muitas chamadas e títulos vão no automático mesmo por falta de tempo. Mas mesmo assim não se justifica que em determinadas partes como capas, aberturas de matérias especiais entre outras coisas que se beneficiam de um pouco mais de tempo de criação fiquem a mercê do kerning default de cada fonte. Se tratando de revistas com periodicidade maior isso se torna algo imperdoável.

Mas mesmo assim assistimos por aí um festival de chamadas com kerning totalmente disformes, uma quantidade enorme de "ruídos" visuais dando aquele ar amador a qualquer trabalho.
No exemplo abaixo, usando a fonte Minion Regular, pode se notar o quanto é irriquieto os espaços entre as letras quando usado o kerning automático (o programa usado foi o InDesign, da Adobe):

Com um pouco de paciência, alterando-se o kerning manualmente de cada par de letras você pode chegar num resultado mais agradável. Não existem valores certos. A idéia é ir mexendo até conseguir o resultado desejado:

Assim dá para se ter uma idéia do ganho de elegância visual que se pode obter usando um recurso muitas vezes desprezado. E para quem quiser mais informações bacanas sobre fontes e dicas de como melhor usá-las dêem uma passada no site Thinking with type. Vale a visita.