
Acabei de ler Mesmo Delivery, obra autoral do talentoso Rafael Grampá. Lançado pela editora Desiderata em setembro, o álbum de 54 páginas conta uma história surreal de um caminhoneiro que tem que fazer uma entrega misteriosa e se envolve numa encrenca num bar a beira de estrada.Logo de cara o que salta aos olhos é o estilo do desenho de Grampá, detalhista e em alguns momentos até um tanto "sujo", e sua colorização desaturada. Isso se torna um diferencial que ajuda a compor o clima "Tarantino" da HQ. A história é boa e Rafael, que já ganhou o Eisner Award, o Oscar dos quadrinhos, é mais um bom exemplo da qualidade da nova safra de quadrinistas brasileiros, que agora começam a ser reconhecidos mundialmente também por sua capacidade criativa.



Isso aconteceu de verdade: em 2003 um bombardeio americano a Bagdá acabou atingindo um zoológico. Alguns animais morreram e outros foram libertados acidentalmente. Dentre eles 4 leões que passaram a perambular pelas ruas da cidade destruída. Até aí isso seria apenas mais uma passagem trágica da história dessa guerra absurda, mas o escritor Brian K. Vaughan conseguiu transformá-la num belo conto em quadrinhos. Vendo tudo aquilo pela ótica de animais ele, na realidade, consegue dizer muito sobre a natureza humana. Os maravilhosos desenhos do canadense Niko Henrichon, que aliás eu não conhecia e já virei fã, combinam perfeitamente com o roteiro. Ponto também para as cores, sempre quentes, que parecem te colocar ainda mais no clima da HQ. 