terça-feira, 16 de setembro de 2008

Agora é a vez da IstoÉ


Outra das mais tradicionais publicações brasileiras acaba de mudar seu projeto gráfico: a revista IstoÉ. Sempre considerada por muitos designers editoriais como o "patinho feio" das semanais brasileiras a IstoÉ estreou na edição 2028 um projeto gráfico moderno e arrojado assinado pelo designer Ricardo van Steen, sócio da agência de design Tempo. Foi uma mudança radical e deixou a revista infinitamente mais bonita. Seguindo uma tendência iniciada no Brasil pela revista Época, a IstoÉ passa a valorizar a clareza nas páginas, apoiada numa tipografia mais limpa e moderna. Os brancos estão presentes em quase todas as matérias servindo como "respiro" para o leitor, algo adotado em peso pelas maiores revistas do mundo atualmente. Outra coisa interessante é a forma de se abrir seções com espécies de capinhas internas. Essa inovação, também muito usada nas grandes revistas estrangeiras, foi até alvo de algumas críticas quando adotada primeiramente pela revista Época mas logo se provou ser uma excelente forma de guiar o leitor dentro da revista e, de quebra, ainda dá um ar de elegância a publicação. No caso da IstoÉ esse recurso também foi muito bem usado e poderia até ser mais explorado em outras partes da revista, diferente da revista Veja, por exemplo, que na recente mudança de seu projeto optou apenas em abrir sua seção inicial dessa forma.

Capinhas internas: tendência gringa introduzida nas semanais brasileiras pela revista Época (1), timidamente usada pela Veja (2) e que agora também faz parte da nova IstoÉ (3)

Pontos negativos, na minha opinião, são o uso excessivo de caixa alta (letras maiúsculas) nos títulos, alguns degradês que definitivamente destoam da modernidade do projeto novo e muita interferência de requadros brancos nas fotos, que apesar de ser algo bacana, se torna poluidor quando usado exageradamente. Mas nada disso é comprometedor. O interessante nessa história toda e que sempre vale a pena ressaltar é a justa importância que o design gráfico editorial vêm recebendo no Brasil ultimamente. Ver revistas que eram graficamente monolíticas como IstoÉ e Veja se atualizarem é algo estimulante (mesmo que nessa última a mudança tenha sido muito mais sutil). Fica evidente que também no design editorial o nosso país está colocando o pé no primeiro mundo e certas "verdades", antes consideradas absolutas e inquestionáveis por aqui nesse quesito, vem caindo por terra graças a uma mudança de mentalidade editorial, hoje muito mais flexível e aberta a novas fórmulas. Parabéns a equipe de arte da IstoÉ e aos diretores que bancaram essa mudança. Ganham vocês, ganha todo o mercado editorial brasileiro e principalmente o leitor, hoje muito mais antenado e ávido por novidades.

E que a busca por inovações gráficas não pare por aqui sempre perseguindo a maior pluralidade de referências possíveis.




Mais branco: seção de cultura da IstoÉ  agora com capinha e valorizando a limpeza visual assim como a sua correspondente, Mente Aberta, em Época. Quem disse que revista semanal de informação tem que ser feia?

2 comentários:

muccioli, giuliano. disse...

Nossa, não sabia que tinha rolado um estranhamento a respeito desse abre de seção em formato capinha por aqui. Não sei se esse tipo de crítica por parte deles se encaixa no pensamento errado de "desperdício de espaço", mas pessoalmente acho que esse tipo de apresentação se mostra muito mais mais sutil e intuitiva (e menos invasiva já que abre a seção ao leitor, por que não?), além de valorizar a nota com o tratamento especial da foto e tudo mais. Parece que a mudança de mentalidade do leitor não acompanha a "mudança da mentalidade editorial", o que é bem triste. Mas tudo bem, pelo menos ISSO já foi superado. Ponto pra nós.

Quanto a IstoÉ é bem claro que houve uma evolução absurda e notável comparando o antes e depois. Por enquanto só posso comentar e fazer algumas considerações em cima das fotinhos que estão aqui. Preciso ver o produto final nas mãos pra dar a resposta se gostei ou não antes de sair falando besteira. Mas vamos lá:

A única coisa que não me agradou por enquanto foi a escolha da fonte para os títulos (e da retranca). Ela parece um tanto quanto expandida na forma e no espaçamento, o que dá uma sensação desajeitada. Além disso tem o overkill da caixa alta em todos os lugares possíveis que foi apontado anteriormente.

Indo para os casos específicos e desconsiderando aquela velha história do posicionamento do título/foto no "Cultura" (pô, bem em cima da cara do Tarantino?), estranhei um pouco o layout da "Semana". Pelo recorte da foto, a caixa de texto parece estar solta do grid e o título e o box só ajudam a fazer a situação parecer pior. Talvez fosse o caso de editar e enxugar esse texto, não sei... mas parece que rolou um, com a liberdade da expressão da redação, "Faz Caber" forte ali.

De qualquer forma, fico feliz de ver que há um interesse na evolução dos projetos das semanais. Em tempos que até os jornais apostam em propostas diferentes, por que é que bem as revistas iriam estagnar e manter os projetos jurássicos pra eternidade? Tudo bem que esse nicho de mercado envolve questões como favoritismo, fidelidade do leitor e um monte de etcs, mas só o fato de estar mais bonita já é o suficiente pra dar o chute inicial pra fazer com que o interesse aumente (a Época que o diga!).


*Em tempo, não tinha visto essa mudança na Veja ainda. Esse abre tá quase igual ao projeto do Luke Hayman pra TIME.

Fernando Pires disse...

Cara, eu devia ter comentado isso aqui faz tempo...
Muito boa a análise, assim como a da Veja uns post atrás. Imparcial e ponderada.
Como você disse, sai a linha de produção, entra a linha de raciocínio.
Abraços!!