quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"Falando" através dos tipos


Venho a algum tempo querendo postar essa interessante analogia com tipos feita pelo designer gráfico chileno Juan Pablo de Gregorio que encontrei em minhas andanças pela internet. Com certeza a escolha tipográfica é um dos desafios mais prazerosos na hora de se elaborar um trabalho gráfico com textos e pensando nisso Juan demonstra que a conexão entre a palavra escrita e a falada pode ser maior do que muitos pensam.

Representar isso tipograficamente pode parecer complicado mas na verdade você perceberá que é mais simples do que se imagina. Basta sempre se lembrar a quem você quer transmitir sua mensagem. Por exemplo: quando você diz "te amo" a pessoa amada seu tom de voz certamente estará carregado de doçura. Agora se a pessoa for sua mãe você dirá isso com mais ternura. E, por fim, se quiser passar essa mesma mensagem a um amigo muito querido sua voz transmitirá afeto. Veja alguns exemplos para se entender melhor a sensibilidade através dos tipos (tomei a liberdade de fazer uma tradução livre e inserções próprias ao texto de Juan):

Clareza


Imaginemos a voz de nossa professora primária. Aquela que nos ensinou a ler. Possivelmente com uma voz simpática e entusiasmada. Sempre fazendo esforços gigantescos para que sua voz seja a mais clara possível e priorizando ensinar palavras fáceis com sons muito simples para que as crianças não se confundam na hora de desenhar as letras.

Classe


Pense agora como seria a escrita da voz de um síndico de um edifício de alto padrão. Ele é um senhor conservador e que da valor as coisas antigas. Nunca vacila com o idioma e usa a plenitude de seu vocabulario correto, seja com seu neto de 6 anos ou com um executivo amigo. É pontual e muito refinado. Só escuta música clássica e usa roupas bem alinhadas. Possivelmente usa um par de sapatos impecavelmente engraxados aos domingos pela manhã somente para ir a comprar o jornal.

Simpatia


Pense naquele figura que tenha sido um gordinho simpático toda sua vida. Tem por volta de 30 anos porém esbanja infantilidade. Uma reunião do pessoal das antigas nunca seria o mesmo sem ele e todos se reúnem ao seu redor para ouvir suas divertidas histórias, sempre contadas com uma voz alta, alegre e de entusiasmo único.

Psicodelismo


A voz de um hippie é bem característica. É calma e quase cantada. Fala somente frases pré fabricadas e defende ideais que talvez nem ele mesmo entenda. Adora o ar livre e o contato com a natureza, sempre com suas roupas largas e despojadas pontuadas por muitos adereços artesanais esquisitos.

Vanguarda


É um jovem transgressor, porém contido. Consome tecnologia como um louco e adora passar horas em frente ao seu computador. Adora experimentar vozes estranhas recheadas de expressões únicas e em constante mutação. Está com a cabeça mais no futuro do que no passado. Não pensa duas vezes em sacar seu iPhone conectado a uma banda larga mega-rápida para consultar sobre alguma coisa simples a decidir ou lembrar algum fato histórico que alguém já disse ter sido interessante antes da invenção da internet.

Adolescência (feminina)


A voz da menina adolescente é ingênua, tímida porém com um entusiasmo próprio da idade. Ela geralmente é segura de si dentro de seu universo de complicações simples e quer transmitir a elegância e a distinção das mulheres mais velhas.

Sofisticação (feminina)


A irmã mais velha, um pouco mais madura e já tem certeza do que quer. É solteira convicta e se considera uma artista plástica que gosta de estar antenada culturalmente. Adora cinema alternativo, é elegante e sabe, como nenhuma outra, andar de salto alto. Em um evento fashion sabe ser sofisticada e se distinguir das demais.

Formalidade


Um jornalista do noticiário possui a voz clara e pausada. Ele lê as notícias da maneira mais formal possível, sem atropelos e demonstrando o minímo de emoção. É jovem mas nem tanto, querendo sempre passar a impressão de ser mais maduro do que é. Centrado, estudioso e bem comportado. Evita a todo custo constranger a si mesmo.

Dinamismo


O tom de voz de um esportista é mais rústico e simples. Robusto, dinâmico, forte e decidido tenta sempre transmitir suas habilidades em competir. O amor ao seu estilo de vida empresta um ar passional e quase religioso as suas falas.

A mistura de "vozes"
Para os designers mais experientes o processo de se escolher uma determinada fonte é tão apaixonante e criterioso quanto a um diretor fazer um casting de talentos para um programa de tv. Pensando assim nunca escolheriamos o gordinho simpático para apresentar as notícias do dia mas o seu carisma pode ser mesclado com a sofisticação e a elegância da moça artista e a formalidade e a clareza do jornalista quando o tema é um programa de variedades, por exemplo.



Essa é uma forma bem bacana de se pensar tipos e você pode praticar pensando em outras vozes e automaticamente associar uma fonte a ela. Seu trabalho ganhará personalidade e transmitirá a mensagem de forma mais clara ao seu público-alvo.

Para saber mais sobre Juan Pablo de Gregorio visite o seu blog, Letritas.

4 comentários:

cintia disse...

Otimo !!!!!! muito boa a sacada, o desenho das letras realmente nos levam a uma imagem, beijos

Linux disse...

Achei demais essa sua explicação das fontes,juntamente com as artes.Existe mesmo uma sincronia com as mesmas.Parabéns

Gisele Lucena disse...

hippie
Fala somente frases pré fabricadas e defende ideais que talvez nem ele mesmo entenda. ???
Você precisa entender melhor o que prega a contracultura.

Peace end Love.

Paulo disse...

Muito bom o post. Obrigado pelas informações, me diverti muito.